Da Arena para a Ciência: Toadas do Boi Garantido Viram Nomes Científicos de Novas Espécies de Gafanhoto
Pesquisadora amazonense do INPA uniu o amor pelo Festival de Parintins e a biodiversidade da floresta ao batizar insetos inéditos descobertos na Amazônia.
A cultura de Parintins acaba de ultrapassar as fronteiras da arte e marcar presença oficial na taxonomia científica internacional. Em um estudo publicado na prestigiada revista Zootaxa, a entomologista amazonense Larissa Lima de Queiroz, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), descreveu novas espécies de gafanhoto e escolheu duas toadas marcantes do Boi-Bumbá Garantido para batizar os insetos.
A iniciativa buscou unir a ciência acadêmica às raízes e aos povos originários da região. Torcedora declarada do boi da Baixa do São José, a cientista utilizou suas obras preferidas para imortalizar a cultura amazônica na biodiversidade da floresta.
"Kamara" e "Mãe da Mata": A inspiração por trás dos nomes
As duas novas espécies identificadas fazem alusão direta a sucessos do repertório encarnado:
Kamara kratxatxa:
Inspirada na toada “Kamara” (lançada pelo Garantido para o festival). Para a criação do nome, a pesquisadora contou com a consultoria de João Kamarayano, da etnia Hixkaryana. Na língua nativa, a junção das palavras resulta na expressão “gafanhoto-onça”, fazendo referência ao padrão de manchas no corpo do inseto. Proscopia caacy:
Homenagem à antológica toada “Mãe da Mata”, apresentada pelo Garantido em 2011. A palavra Caacy, de origem tupi-guarani, significa justamente “mãe da floresta”, espírito protetor da fauna e flora.
Importância para a biodiversidade da Amazônia
A descoberta faz parte de um levantamento amplo focado na família de insetos conhecidos popularmente como "falsos bichos-pau", devido ao formato alongado de seus corpos.
A pesquisa envolveu expedições de campo em diversos estados do Norte e análises minuciosas de acervos em museus.
Por Rádio Carapanã
Foto: Larissa Lima de Queiroz

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