Mostra permanente "Sons de Parintins" é lançado na ilha e conta a história das Toadas de Caprichoso e Garantido
Um Mergulho Multissensorial
A curadoria, assinada por Diego Omar, Ericky Nakanome e Adriano Tenório, construiu um percurso que desafia a barreira do tempo. Ao caminhar pela exposição, o visitante encontra:
Acervo Literário e Poético: Livros e letras originais que narram as toadas que se tornaram hinos da floresta.
- Instrumentalidade: Uma exibição detalhada dos instrumentos que dão o ritmo à Batucada do Garantido e à Marujada de Guerra do Caprichoso.
- Artes Visuais: A força do grafite e a tridimensionalidade das esculturas que remetem às alegorias gigantescas do Bumbódromo.
- Conectividade: O uso estratégico de QR Codes, permitindo que o público utilize seus smartphones para acessar álbuns históricos e raridades sonoras de ambos os bois.
| Diego Omar, Adriano Tenório e Ericky Nakanome, idealizadores da mostra Sons de Parintins |
A pesquisa mergulha e faz uma verdadeira viagem pela história do ritmo parintinense que deu identidade cultural ao estado do Amazonas.
Para Ericky Nakanome, um dos curadores e figura central na estética contemporânea do Festival, a mostra é um ato de resistência e educação. Em uma fala que reflete o espírito do projeto, ele destaca:
"A exposição 'Sons de Parintins' não é sobre o que passou, mas sobre o que nos sustenta. Trazer esse acervo para dentro da Universidade é validar o saber do artista parintinense como um saber acadêmico e científico. Queremos que o estudante e o turista entendam que por trás de cada toada e de cada escultura existe uma engenharia social e artística complexa. O QR Code é o nosso portal: ele une o couro do tambor à nuvem digital, garantindo que o som de 1913 e o de 2026 ecoem com a mesma clareza."
Impacto Educacional
A escolha do Cesp/UEA como sede permanente não é por acaso. O objetivo é transformar o espaço em um laboratório de pesquisa. Acadêmicos e pesquisadores agora possuem acesso facilitado a materiais que antes estavam dispersos ou em coleções particulares, fomentando teses e estudos sobre a economia criativa e o patrimônio imaterial da região.
A mostra "Sons de Parintins" reafirma que, na Ilha, a tradição não se guarda em gavetas; ela se expõe, se ouve e, acima de tudo, se renova.
Por: Roger Pimentel
Fotos: Michel Amazonas.
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